Há dias e dias #6

Existem um conjunto de coisas que desconfio que só me acontecem a mim. Antes das férias, num belo dia de sol, recebi a sms do IPS a informar que já tinha passado o período de segurança, e que por isso, podia ir fazer outra doação de sangue. Juntando a esta mensagem as férias que já estavam planeadas passado uma semana e meia, e sabendo que é uma confusão dar  sangue tendo estado em países “estranhos”, resolvi ir dar sangue, ao fim da tarde.

Eu sentia-me bem, fui pelo meu pé, dei sangue, tirei fotos…e quando chegou a hora de me levantar deu-me uma má disposição e “cai para o lado”, em sentido figurado, porque estive sempre deitada.
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Pelo que me contam depois, foi um filme para me acordar, com prognóstico de uma doença cardíaca ou epilepsia e proibição total de correr até se esclarecer a situação. Fui ao médico de família para uma consulta de urgência, que me disse para relativizar, que me tinha sentido mal pelo esforço dos 70 km de caminhada do fim-de-semana, aliada à dádiva de sangue. Lá me passou um eco cardíaca e me deixou voltar às corridas. Exame feito depois das férias e nova proibição de corrida: mal formação cardíaca com dilatação da parede, e aconselhamento de prova de esforço. A prova de esforço estava perfeita, mas a proibição de correr mantinha-se até aconselhamento médico “especializado”. Segue-se a consulta na cardiologista 1, com a remoção da proibição da corrida, passei a poder correr até às 150 pulsações por minuto (que descobri que não dá para correr), com receita de comprimidos para o colesterol e para a circulação, para toda a vida, e a indicação para uma ressonância magnética cardíaca. Como achei todo o processo dos exames e da consulta meio manhoso (todos feitos em cadeia e no mesmo sítio) pedi uma segunda opinião. Lá fui eu ao cardiologista 2, que me removeu de imediato todos os comprimidos que nunca cheguei a tomar, me deixou correr “as usual” e ainda me conseguiu uma repetição da eco e uma eco de stress.

Resultado: tenho um coração “anormal” na forma, segundo o médico que me fez o exame, em forma de pepino (sim, é verdade, pepino!), mas que funciona normalmente. Moral da história: não vale a pena andar à procura de problemas, porque se procurarmos, os defeitos aparecem. Outra coisa que descobri no processo…Em Portugal quem não tem assistência de subsistemas de saúde ou seguro, é tratado com um extra-terrestre (para ser simpática na comparação). Com este filme todo, perdi a corrida solidária da bosch, no passado fim de semana, sim porque já me tinha inscrito e já tinha dorsal tinha, mas OK, antes assim…

8 thoughts on “Há dias e dias #6

  1. Ainda bem que a segunda opinião revelou que não havia problema algum com o coração.🙂
    E sim, neste país, cada vez mais, quem não tem acesso ao privado anda, de facto, com o coração nas mãos.

  2. Que maratona… Ainda bem que estas bem e que podes continuar a fazer o que gostas. Quanto ao coração não importa o feitio importa o que trás lá dentro.😉 Amor, carinho, alegria e muita felicidade.🙂

  3. Que filme! Junta-te ao clube. Eu também tenho uma malformação cardíaca congénita que descobri só aos 30 e por acaso pois não tenho sintomas de nada: uma intercomunicação auricular ( o tradicional sopro que devia ter fechado à nascença) e um abaulamento do septo cardíaco (a minha mãe tem o mesmo septo torcido). Havias de ver quando a cardiologista descobriu isto, num check up post-parto. Chamou logo os estagiários e outros colegas para ver a raridade que era eu! Senti-me um animal de zoológico. Conclusão: continuo por aqui. beijinhos e melhoras para ti

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